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28/01/2007 - DESBRAVANDO A ÁSIA !!

Após 44 horas de viagem (11hs de São Paulo a Chicago, 7hs de Conexão, 16hs de Chicago a Hong Kong e mais 10hs de Fuso Horário), saindo no Sábado (13) a noite de São Paulo e chegando na Segunda (15) a noite em HK, pela primeira vez na minha vida eu me encontrava em um território asiático... DEMAIS !!

Os objetivos da viagem eram: visitar o casal de atletas/amigos que estão vivendo em HK a um pouco mais de um ano Silvia Caserta e José Maria Baster; conhecer novas culturas e adquirir novos conhecimentos na vivencia direta do cotidiano dentro dos países; respirar novos ares; e realizar duas competições em terras asiáticas.

Após uma programação de custos/roteiro/tempo que começou em Outubro e se encerrou em Novembro, estava montada a viagem !! Ela teria uma duração total de 17 dias envolvendo: China (Shen Zhen), Hong Kong, Macau e Tailândia (Bangkok e Khon Kaen). As conexões seriam em Chicago (ida) e São Francisco (volta). Inclui na viagem as provas: China Coast Half Marathon (HK) e Khon Kaen Marathon (Tailândia).

Por ser uma viagem muito especial por vários motivos, resolvi descrevê-la dia a dia em cima de dois pontos: Atrações Turísticas e Treinos Realizados. Acompanhem abaixo:

* 28/01 (DOMINGO): A KHON KAEN MARATHON

2hs30'. Eu não acreditava que o despertador havia tocado... e muito menos que eu realmente iria acordar para correr 42Km. Bom, só para repetir: "o porque" disso não se pergunta... Ainda com o meu "dinnkfsat" no estômago, comi algo leve no quarto mesmo. Tudo pronto, peguei novamente uma "tuk-tuk" e fui ate a concentração da competição. Impreterivelmente as 4hs30' foi dada largada.

Mantendo a estratégia utilizada já a alguns anos, mesmo com no máximo quinhentos atletas na prova, larguei atrás. Perdi uns 45" para passar no tapete do chip inicial e já sai desde o começo no meu ritmo. Pelo horário da largada, o clima estava excelente. Conversando com alguns corredores um dia antes e analisando a topografia da cidade, percebi que a prova seria rápida. As ruas e avenidas do percurso, eram constantes "falsos planos suaves" (tanto para descer como para subir) e com uma vantagem: com pouquíssimas curvas.

Apesar de correr de relógio, apenas ia marcando as passagens a cada Km, porém sem olhar. Estava com receio de marcações equivocadas durante o percurso que poderiam desmotivar-me. A minha sensibilidade seria o meu "pace". Logo no começo percebi que estava bem... as pernas fluiam com facilidade... passava blocos de pessoas ate que no Km 8, um "senhor tailândes" entrou no meu ritmo. Eu particularmente respeito muito os corredores mais velhos... só por esse fato, já demonstram experiência. Seguimos juntos passando outros corredores porém já em menor proporção. Ele me acompanhou ate o Km 18. Dai até o Km 32 corri literalmente sozinho. Nesses quatorze quilômetros, creio que passei somente uns quatro corredores. A prova já estava bem dispersa pelo ritmo que eu estava impondo e pela quantidade de participantes. Senti que havia passado bem na meia e que meu ritmo havia caido um pouco até essa marca. Do Km 32 ate o 34 comecei a sentir o peso das pernas. Independente do motivo, percebi mais uma vez que agora eu tinha que correr com a mente porque pelo fisico, ele ja estaria na piscina tomando banho de sol. Entre os Kms 37 e 40 três corredores me passaram... era a primeira vez na prova que isso ocorria. Pensava na família... amigos no Brasil... trabalho... e cantava músicas dentro de mim. Finalmente Km 41 !! Resolvi olhar para o relógio... se eu apertasse o ritmo conseguiria fazer abaixo das 3hs10'... CONSEGUI !! 3hs09'32" no meu relógio. UM TEMPO MUITO BOM !!! E a colocação melhor ainda... 55o NO GERAL !!

Analisando as minhas passagens depois com calma, percebi que passei "naturalmente forte" a metade da prova. Passei a meia com 1h28'36"... a minha melhor passagem nessa distância em Maratona. Apesar de sentir que o meu organismo tem certas dificuldades em se adaptar na distância da Maratona, o oposto no caso da Meia em que eu me adapto super rápido, acho que novamente faltou mais alguns treinos longos. De qualquer forma, fica a análise para o segundo semestre. Após a prova, eu só queria descansar na piscina... a noite, experimentei um pouco da gastronomia tailandesa. Comi o "Pad Thai" (tipo um arrroz), "Tomi Yam (uma sopa apimentada) e de sobremesa, um "Mango Stick Rice".

Após 13 dias completos no continente asiático, trago muitas recordações inesquecíveis dentro da minha memória (e isso e o mais importante porque ninguém nos tira), presentes dentro da minha mala (é um ótimo complemento para recordar algumas pessoas que ficaram distantes fisicamente nesses dias), mais de quatrocentas fotos dentro da minha câmera (essa é uma maneita incrível de recordar a viagem) e mais duas provas no curriculum (a minha vigésima primeira Meia Maratona e oitava Maratona). Agora e enfrentar mais uma maratona: a viagem de volta...

Espero ter contribuindo aos leitores com algumas informações turisticas e esportivas.

China e Tailândia ?? EU RECOMENDO !!!!

* 27/01 (SABADO): FEIRA DE ESPORTES E DAY OFF TOTAL

Véspera de prova. Tudo dentro dos conformes. Levantei mais tarde e peguei uma "tuk-tuk" em direção a Universidade de Khon Kaen onde se realizaria a Feira de Esportes. Bem, de esportes somente a estande da Adidas, patrocinadora oficial do evento. As demais, eram de produtos e serviços locais que transmitiam a sensação que essa feira nao tinha nenhuma ligação esportiva. Fora isso, ao perceberem que eu era estrangeiro (e nao e nada difícil na Tailândia) os organizadores me atenderam super bem. Apesar de ser uma prova bem mais profissional e internacional do que a da China (teve chip oficial, premiação em dinheiro, um site bem montado, reposição durante e depois da prova muito bem feita, marcação a cada quilômetro e outros ítens atualmente básicos mais importantes dentro do mercado de corrida), ela tinha a sua precariedade (camiseta simples demais, sacola do kit mais simples ainda nao vindo nenhum brinde adicional). Porém, um ótimo ítem a ser citado, foi a qualidade da medalha de finisher... e com uma boa sacada: bronze para quem correu os 11Km, prata para quem fez a Meia e ouro para os maratonistas. Todas com o mesmo formato e as cores da bandeira da Tailandia na fita.

Voltei a pé para hotel e fiz um pequeno turismo pela cidade. Khon Kaen e uma cidade com aproximadamente dois milhões de habitantes. Ela contém muitos negócios e os hotéis vendem muitos pacotes para as empresas de Bangkok realizarem "workshops". Existem alguns palácios (para variar), porém, com um porte bem menor do que os da capital tailandesa.

Cheguei ao hotel no final de tarde... jantei e fui tentar dormir cedo... impossível. Só fui pegar no sono depois das 10hs da noite.

* 26/01 (SEXTA FEIRA): ÚLTIMO TREINO E CHEGANDO A KHON KAEN

Levantei cedo e fui realizar o meu último treino antes da Maratona. Dessa vez, fui trotando (10') ate o Parque Benjakiti (esse e menor, mais limpo e elitizado. Se parece mais com o Pq. Vila Lobos) e fiz uma série com varias repetições (10) para estimular a velocidade com uma duração curta (1') e uma recuperação longa e ativa (3'). Voltei trotando ao hotel finalizando uma hora de treino.

Como eu iria voltar ao hotel no Domingo para dormir mais uma noite em Bangkok antes de voltar ao Brasil na Segunda de manhã, deixei as minhas malas num armário e levei somente a minha mochila com pouca roupa e o material que utilizaria na competição. Peguei uma "tuk-tuk" e parti ao aeroporto.

No caminho, perguntei a mim mesmo "Como será essa Maratona ?? Bem organizada ?? Terá bastante gente ??" e outras várias questões que vinham em minha mente. Aos poucos, percebi que essas questões vinham conforme a prova ia se aproximando. Afinal, porque um brasileiro iria sozinho ate uma cidade no interior da Tailândia correr (e porque nao tambem sofrer) durante 42Km ?? Essas perguntas não se fazem... porque elas não tem resposta... elas são sentidas e impulsionadas pelas pessoas que gostam de se aventurar principalmente com a corrida. Por isso, se você não possue esse sentimento, não pergunte para quem o tem porque você não tera resposta... apenas tente sentí-lo um dia caso voce queira realmente saber.

Já na espera do meu embarque, comecei a tirar as minhas dúvidas sobre a prova. Algumas dezenas de corredores de alguns países iriam para o mesmo destino. Ao chegar no aeroporto, já tinha um ônibus privado para levar os hóspedes até o hotel dentre eles vários maratonistas. Durante o caminho, as ruas da cidade tinham várias placas recepcionando os atletas. Também conheci um maratonista americano com a minha idade (32 anos) que iria para a sua Maratona número cinquenta. Essa também seria a sua quarta Maratona em quase dois meses. Essa "loucura" e bem padrão americano mesmo...

Fui para o meu quarto e tomei o resto do dia para descansar.

* 25/01 (QUINTA FEIRA): O GRANDE PALÁCIO E OUTROS ESPORTES

Quinta feira era um grande dia !! Afinal, seria o meu único dia totalmente "full" em Bangkok. Por isso, fechei um "city tour" com uma agência local que incluia paradas nos três principais pontos turísticos da cidade: O Grande Palácio (um templo simplesmente m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o construido a vários séculos atrás dentro de uma arquitetura detalhista, luxuosa e imponente. Na verdade, esse templo é um verdadeiro complexo da religião budista, muito bem preservado sendo visitada por turistas do mundo inteiro em todos meses do ano. Nele, a grande atração e a gigante estátua do Buda Reclinado); O Buda de Ouro (um templo mais antigo do que o Grande Palácio onde se encontra um Buda totalmente de ouro); e o Templo de Mármore (um templo onde se encontra vários budas de mármore simbolizando todas as épocas da sua história). Para entrar em qualquer templo, você tem que estar com os joelhos e ombros cobertos.

Também passamos pela bairro onde se encontra o Palácio de sua Majestade (na Tailândia, o regime de governo é a monarquia parlamentarista), o bairro de China Town, o Mercado Flutuante as margens do Rio Chao Phraya e outros pontos de destaque da cidade. Voltei ao hotel no meio da tarde.

Devido ao passeio, forte calor e ainda um pouco cansado pelo acumulo de treinos somada a competicao em HK, resolvi fazer um treino dentro do hotel. Pedalei 30' numa bicicleta ergométrica simples numa carga leve, fiz musculação e nadei 15' na "piscina/tanque" do hotel. Depois foi comer e dormir.

* 24/01 (QUARTA FEIRA): DE HK PARA BANGKOK E CORRENDO PELA CIDADE

Após uma despedida simples porém bem sentidada por mim (afinal, foram oito dias bem intensos de convívio direto com muitos treino, risadas, assuntos cotidianos, troca de informações e cultura), peguei o avião logo no começo da manhã em direção a BangKok, capital tailandesa. Um vôo tranquilo e rápido durando um pouco mais do que duas horas (o fuso é uma hora a menos do que em HK).

Para a Tailândia não é necessário visto, somente vacina de Febre Amarela. Pedi algumas informacões no balcão do aeroporto (por sinal ele é um dos maiores do mundo) e optei em ir de ônibus até o hotel. Logo de cara, tive dois choques que eu já previa: o primeiro, foi a forte e brusca troca de temperatura (sai de 15 graus celsius de HK para 32 de Bangkok); o segundo, foi o trânsito caótico da cidade... impressionante mesmo para um paulistano... motos, carros, mini-onibus, ônibus e "tuk-tuks" (transporte típico tailandês que parece um triciclo motorizado) se intercalam, cruzam e "brigam" nas ruas em sua maioria estreitas da cidade (assim como em HK, em Bangkok a posição do motorista no carro e as mãos das ruas segue a linha britânica, sendo o oposto da nossa).

Bangkok e região abrangem atualmente aproximadamente dez milhões de pessoas. A moeda oficial do pais e o "Bah" (na conversão para dólar americano, U$1,oo sao B$36,oo) e o seu idioma oficial e o tailandês (o inglês tem a sua presenca na escrita dos estabelecimentos e na fala das pessoas associadas aos pontos turisticos). O país também tem a sua escrita própria. A Tailândia é considerada um dos países que fazem a ponte entre a Ásia Indiana e a Ásia Oriental.

Já devidamente instalado, fui realizar o meu Treino de Rodagem, o último mais longo antes da Maratona. Rodei 1h30' num ritmo tranquilo a 5'45" p/Km principalmente pela presença do forte calor. Assim como já fiz em algumas cidades que conheci, peguei o mapa da cidade e procurei os parques de prática esportiva. Achei o Parque Lumphini (o nosso Ibirapuera). No hotel eles me informaram que a distância era de uns 5Km pegando duas grandes avenidas. Como bom corredor, sem problemas... eles me ofereceram taxi e quando eu disse que iria correndo, todos se assustaram. O parque é bem gostoso e cuidado... ele possui uma volta de 2,5Km e tem como principal monumento a estatua de "King Rama VI". Fui até ele, dei duas voltas internas e voltei parte do caminho correndo e parte andando para descansar e observar mais a cidade.

Durante a corrida e depois a caminhada, fiquei impressionado com a quantidade de mini-mercados e barracas (tipo camelo) espalhados por quase todas as ruas da cidade. Como muitas barracas sao "gastronômicas" e a comida preparada geralmente possui um forte tempero, eu praticamente corri comendo as variedades tailandesas pelo nariz. Outro ponto a ser citado, é a quantidade de casas de massagem com funcionamento quase que vinte quatro horas.

Jantei no próprio hotel e fui descansar para encarar o dia seguinte.

* 23/01 (TERÇA FEIRA): TREINO DE ESTÍMULO E ÚLTIMO E PREGUIÇOSO DIA

Nesse meu último dia em HK, após ter realizado diversos passeios e treinos, somado a mais uma competição internacional, tirei o dia para descansar e arrumar gradativamente a minha mala já pensando na Tailândia. Como o José Maria também tinha um dia mais "relax", acordamos mais tarde e depois de vermos mais uma partida do "Austrália Open" ao vivo na televisão, fomos correr no Jóquei Clube, o meu último treino nesse lugar dessa viagem. Após aquecermos e alongarmos, fizemos um treino de "estímulo". Foram oito séries de 3´ progressivo com 2´ de trote regenerativo totalizando 40´. Um ótimo treino !!

Voltamos, descansamos, assistimos mais tênis na tv e fomos almoçar num restaurante dentro do Shopping Times Square. Depois caminhamos um pouco e voltamos para casa.

A noite fomos jantar no Restaurante Aqua, um dos mais conhecidos da cidade, localizado em HK continental. Esse restaurante fica no vigésimo oitavo andar de um prédio de frente a ilha de HK. A sua vista noturna com todos os "arranhas céus" iluminados é um perfeito cartão postal ao vivo para incrementar ainda mais o ambiente.

* 22/01 (SEGUNDA FEIRA): TREINO REGENERATIVO E MACAU

Se você pensa em ir para Macau na expectativa de ver e ouvir chineses falando português, pode "tirar o seu cavalinho da chuva"... nem nos balcões de informações turísticas da cidade, a língua portuguesa é utilizada. Por mais que o português seja a segunda língua oficial dessa região (a primeira é o cantonês igual de HK), ela tem a sua presença somente nos nomes das ruas, placas, pontos turísticos e maioria dos estabelecimentos comerciais. Portanto, português somente na "visão", e não na "audição".

Porém, não tenha dúvida que Macau é uma região que deve ser visitada para quem vai ao sudeste chinês beirando a costa do Mar do Sul da China. Por mais que tenha o seu próprio Aeroporto Internacional, o modo mais utilizado para chegar na ilha, é via marítima através dos barcos que saem praticamente de 30´ em 30´ de HK tendo a viagem a duração de uma hora.

Assim como HK, Macau é uma Região Administrativa Especial da República Popular da China e, de acordo com a vontade da sua população e dos seus líderes, manterá as características sociais e econômicas de acordo com o princípio "um país, dois sistemas". Os brasileiros não necessitam visto de entrada, a sua população atual é de quase quinhentos mil habitantes, a sua moeda oficial é a "pataca" (caminha junto com a conversão do HK dolár) e a sua principal fonte econômica é o turismo (teve um crescimento maior do que HK em 2006). Através do segmento turístico, a arquitetura de Macau se interage em três vertentes: as construções portuguesas coloniais bem preservadas e restauradas, alguns templos chineses bem marcantes e os modernos edifícios dos cassinos bem no estilo de Las Vegas. Não é a toa que Macau foi considerada por muitos séculos, a cidade mais ocidental do oriente e foi decretada Patrimônio Mundial da Humanidade em 2006

Os principais pontos turísticos da cidade são: Ruínas de São Paulo e Museu de Arte Sacra; Fortaleza do Monte e Museu de Macau; Largo do Senado; Fortaleza e Farol da Guia; e Torre de Macau e Centro de Convenções.

Realmente Macau é uma região que vale a pena todo brasileiro conhecer... afinal, mesmo que bem suavemente, dá para sentir o "ar latino" nessas terras orientais.

Antes de ir para Macau, realizei o meu Treino Regenerativo pós prova. Rodei 50´ leve (entre 5´30" e 5´45" p/Km) na Bowen Road, o meu último treino nesse local dessa viagem. Um trote leve no dia seguinte de uma competição, recupera mais rápido a sua musculatura do que ficar sem fazer nada.

* 21/01 (DOMINGO): A CHINA COAST HALF MARATHON, PRAIA DE STANLEY E O RESTAURANTE JUMBO

Se você alguma vez já correu no lado sul de Ilha Bela, enfrentando aqueles trechos de constantes e fortes subidas e descidas, amenizadas através de um visual incrível contendo o mar de um lado e as montanhas do outro, pode imaginar o que foi a CHINA COAST HALF MARATHON, realizada nesse Domingo (21) no lado continental de Hong Kong próximo ao Sai Kung East Country Park e tendo toda concentração no Po Leung Kuk Holiday Camp.

Como o local da competição era distante, a organização disponibilizou ônibus para os atletas (bem no estilo Maratona de Boston e NY) saindo entre 6hs e 6hs30´ das regiões centrais da Ilha, trazendo-os ao final da prova para o mesmo ponto.

Ao chegar na concentração, o local tinha alguns banheiros e a organização montou um bem espaçoso guarda volume. A prova teve a sua largada as 8hs00´ com aproximadamente 800 atletas na Meia (também teve uns 200 na Maratona e uns 600 nos 10Km) não contendo chip, apenas o número de identificação.

Realizei um rápido aquecimento com os atletas Silvia Caserta e José Maria Baster, nos desejamos "Boa Sorte" e fomos para a largada cada um num ponto diferente. Já estava ciente que a prova teria uma alternância altimétrica constante segundo informações do José Maria e o regulamento dizia que o percurso seria de ida e volta através do mesmo lugar, ou seja, descida na ida seria subida na volta. Para compensar, o clima estava bom (entre 10 e 15 graus) com pouco vento. Em cima de tudo isso, somando o fato que eu teria uma Maratona daqui a sete dias, resolvi adotar a estratégia de impor um ritmo mais forte nas poucas retas, firme nas subidas e mais solto nas descidas... o meu "feeling" seria respiratório (não hiperventilar em momento algum) deixando a musculatura responder aos estímulos e a sobrecarga.

Acabei largando atrás perdendo um pouco de tempo no primeiro quilômetro... logo em seguida veio uma forte subida (tipo Biologia) e o bloco da minha frente começou a se dissolver... nisso, imprimi um ritmo bom e comecei a passar alguns corredores e ter mais espaço para colocar o meu passo... a partir do quinto quilômetro, percebi que começava a entrar no meu "estado estável"... para ajudar ainda mais, formou-se naturalmente um bloco comigo e mais quatro atletas (um europeu e três asiáticos) que se alternavam o tempo todo... no retorno (por volta do décimo quilômetro) contei aproximadamente quarenta corredores na minha frente... isso me animou ainda mais !!

No quilômetro quinze o meu grupo se dissolveu... um abriu e dois ficaram... optei em ficar no meu ritmo e não tentar acompanhar o corredor que havia aberto de mim... corri um tempo sozinho e três quilômetros depois um corredor me alcançou e nós alcançamos mais dois... fomos praticamente juntos até o final.

Como a prova não tinha marcação a cada quilômetro e a minha estrátegia seria mantida até o final independente de qualquer situação, acabei olhando muito pouco para o meu cronômetro durante a corrida... somente olhei quando comecei a descer aquela subida do começo (a tipo Biologia, lembra ?!) e nela marcava 1h26´50"... como era a última, forcei na descida em direção a chegada... ao cruzar a linha final, cravei 1h30´48" no meu relógio. Como não houve chip, por mais que eu tenha perdido alguns segundos ou um minuto no começo, esse foi o meu tempo oficial pego por mim. Ao final, saiu o resultado oficial somente com as colocações dos atletas sem o tempo... FIQUEI EM 29o LUGAR GERAL !! SHOW !!

O atleta José Maria Baster fechou a prova em 1h49´51" e a atleta Silvia Caserta em 2hs23´19". PARABÉNS AO CASAL !!

A organização ofereceu: água e isotônico durante o percurso. No bolsão pós prova, ofereceu: água, banana, maçã, mini bolo e hot dog. Também ofereceu massagem. A medalha de finisher era muito bem feita e o kit de participação continha numa sacola bem bonita: toalha, camiseta e um "ice pack" descartável.

A tarde fomos almoçar na Praia de Stanley. Esse lugar, fica do lado oposto da ilha, onde reside vários estrangeiros. Também possui diversas opções gastronômicas e uma feira com vários produtos típicos e com bom preço. Na praia, por mais que ela não seja totalmente limpa, se pratica muito WindSurf. A noite, fomos jantar (pizza com cerveja para comemorar !!) num dos mais turísticos restaurantes de HK, o Jumbo. Ele é um "navio/restaurante" todo iluminado de gastronomia internacional que fica ancorado num pequeno porto perto do Clube da Marina onde se ancora vários barcos, lanchas e iates. Você tem que pegar um pequeno barco do cais até o restaurante deixando o lugar ainda mais especial... demais !!

Pelas dificuldades que a competição demonstrou, fiquei muito contente com o meu resultado... não só pelo tempo e principalmente pela colocação, mas também pelo meu estado pós prova... me senti muscularmente e organicamente super bem durante a tarde e noite do mesmo dia, dando boas perspectivas para encarar a "calorosa" e "úmida" Maratona de Khon Kae na Tailândia no Domingo que vem (28). VAMOS COM TUDO !!

* 20/01 (SÁBADO): DAY OFF E CONHECENDO A CHINA ATRAVÉS DE SHEN ZHEN

Após termos realizado (eu e o José Maria) religiosamente toda a Programação de Treinos durante a semana, na véspera da prova optamos em dar um OFF geral. Portanto, nesse dia aproveitamos para colocarmos o passeio até a China e visitarmos a cidade de Shen Zhen.

Para você visitar a República Popular da China, o visto para brasileiros é obrigatório. Após algumas horas de viagem e burocracia, chegamos a Shen Zhen no começo da tarde. Essa cidade a trinta anos atrás, era simplesmente uma vila de pescadores com aproximadamente cem mil habitantes. Durante essas três décadas, com o crescimento do país devido a sua abertura econômica no final dos anos oitenta e ao retorno de HK ao domínio chinês nos anos noventa, essa pequena cidade torno-se uma metrópole de quase cinco milhões de habitantes, atraindo diversas pessoas de diferentes regiões asiáticas e do mundo, movida principalmente pela venda de produtos similares com quase a mesma qualidade a um preço absurdamente menor, sendo um passeio quase que obrigatório aos turistas que estão em HK.

Logo que você passa pela Polícia Federal Chinesa e sai da estação de trem, automaticamente o caminho o leva ao Shopping Lo Wu. Nesse lugar, você pode encontrar todos os tipos de produtos de todas as marcas porém de fabricação chinesa a um preço bem mais acessível. Ao seu redor, diversos hotéis já se instalaram para receber os turistas e pessoas que vem a negócio facilitando o seu deslocamento dentro da cidade.

Após algumas comprinhas, fomos visitar o Comandante João Paulo e família, amigos do José Maria e da Silvia a muito tempo. Eles vivem em Shen Zhen a dois anos e ele trabalha na companhia aérea da cidade (Shen Zhen Airlines). Nesses últimos anos, diversos pilotos brasileiros (48 segundo informações dele próprio) optaram pelo mercado de trabalho chinês empurrados pela crise da aviação brasileira. Para completar a festa "brazuca", comemos na churrascaria "O Gaúcho" de um brasileiro ex-garçom que vive a um tempo na China. Realmente comer churrasco na China foi no mínimo "sulreal".

Chegamos em casa a noite. O José Maria nos preparou uma "super massa pré prova" e fomos dormir, já que no Domingo tínhamos que despertar as 5hs15´ da matina para irmos ao local da competição.

* 19/01 (SEXTA FEIRA): TREINO LEVE E HONG KONG CONTINENTAL

Mesmo cansada da viagem, Silvia Caserta nos fez companhia no nosso último treino antes da "China Coast Half Marathon". Rodamos 50´ na Bowen Road num ritmo bem tranquilo, conversando e nos divertindo. O que para nós foi um treino leve depois de três ótimos treinos um dia atrás do outro, para Silvia esse foi praticamente o seu último e único treino mais direcionado antes da prova, já que devido ao seu trabalho, ela estava sem correr a duas semanas. Mesmo assim , como a sua idéia era apenas completar a sua terceira meia maratona, ela estava bem tranquila e confiante.

Depois do treino, enquanto Silvia ia trabalhar, eu e José Maria fomos a HK continental. No meio do caminho, paramos no maior edifício de HK, o IFC (International Finance Centre II). Com os seus 420 metros de altura distribuídos em 88 andares, ele se impõem na paisagem da ilha. No andar 55, ele possui um pequeno museu com uma vista bem interessante.

Pegamos o barco e atravessamos até o continente. Do porto fomos a pé em direção a "Avenue of Stars". Esse local é uma cópia da calçada da fama americana, onde diversos artistas chineses deixaram a sua marca, dentre eles está Jackie Chan. Nela também contém uma estátua homenageando Bruce Lee. Seguimos caminhando e fomos até o "Jade Market". Esse mercado popular contém diversas artesanias chinesas sendo muitas delas utilizando a pedra de jade. Para fechar o dia, comemos no Hard Rock Cafe e chegamos a noite em casa.

* 18/01 (QUINTA FEIRA): TREINO INTERVALADO E A VISITA A IMAGEM DO BUDA

Mais um dia levantando cedo... e com as pernas já meio preocupadas... afinal, hoje era dia do treino mais intenso antes da prova: um treino intervalado piramidal. Fomos trotando novamente até o Jóquei Clube e já dentro realizamos alguns estímulos de velocidade para complementar o aquecimento e "acordar o corpo" totalizando 20´ todo o trabalho inicial. Alongamos um pouco e iniciamos a série. Foram 12 tiros iniciando com 200m e uma pausa de 30". Desse primeiro até o sexto tiro, fomos aumentando a distância em 200m e o intervalo em 15" até chegar a 1,2Km com uma pausa de 1´45". Daí para frente fomos descendo na mesma proporção do sétimo ao décimo segundo até fechar a série novamente com 200m e 30" de pausa. Toda série foi trabalhada no limite do Limiar 2. Voltamos para casa trotando leve e felizes por mais um dever cumprido.

Banho tomado, barriga cheia e muita disposição para atravessar a cidade e ir até a Ilha de Lantau visitar o "Big Buddha". Essa enorme imagem de bronze com 26 metros de altura e 220 toneladas fica no alto de uma montanha e impressiona qualquer pessoa. Para você chegar até próximo a imagem, um atrativo teleférico foi construindo aos visitantes. Outra opção é atravessar praticando o Hikking (trilhas montadas nas montanhas para as pessoas caminharem tendo um contato maior com a natureza. Essa atividade é muito praticada em HK). Ao chegar no complexo religioso, várias pessoas acendem incensos em diversos locais simbolizando a sua fé. Na mesma área, se encontra o Monasterio Po Lin onde se realiza várias cerimônias. Realmente esse passeio é um dos principais de HK e vale muito a pena.

A noite, fomos comer pizza num restaurante no bairro de Lan Kwai Fong, junto com a Silvia que acabará de chegar de viagem. Também pedimos de entrada um prato típico da China chamado "Dim Sum" (tipo empanadas com diversos tipos de recheio)

* 17/01 (QUARTA FEIRA): TREINO LONGO E PASSEANDO PELO CENTRO DE HONG KONG

Nesse dia, levantamos as 6hs30' da matina para realizarmos o nosso "Treino Longo". Mesmo com uma chuva fina mais constante gerando uma baixa sensação térmica, literalmente arrastei o José Maria comigo... nessa hora, o meu lado "treinador" falou mais alto do que o meu lado "visita". Afinal, era um treino importante para ele e muito importante para mim, ja que era o meu último longo antes da Maratona na Tailândia. Mesmo faltando somente dez dias para essa prova, optei em rodar mais do que o normal ja que eu não havia feito alguns treinos mais longos no Brasil nas semanas que antecederam a minha viagem devido a correria de trabalho. Rodei 2hs30' num ritmo entre 4'45" e 5' p/Km. O José Maria rodou 1h no mesmo ritmo. Fomos correr na Bowen Road, uma rua pouquíssima movimentada de 4Km com marcação a cada 500m sinuosa e plana. Ela é outro ponto muito procurado pelos habitantes da ilha para treinar.

Ao retornar e com o dia bem feio, resolvemos passear novamente no centro da cidade. O José Maria levou-me em diversos pontos por toda Down Town. Dentre eles, posso citar: Algumas feiras típicas chinesas, onde se mostra os peixes vivos antes de limpá-los e vendê-los, vários animais secos inteiros (como pato e frango), restaurantes onde os chineses comem o seu "macarrão de noodle" logo cedo, lojas com diversos tipos de chá, a praça onde as filipinas (principal mão de obra em HK) se reunem aos Domingos, o prédio do Banco da China (sem Feng Shui), o prédio do HSBC (com Feng Shui) e o Shopping Times Square.

Retornamos ao apartamento e fomos comer dessa vez no bairro de Lan Kwai Fong, o mais agitado da ilha.

* 16/01 (TERÇA FEIRA): TREINO DE ADAPTAÇÃO E A VISTA DO PEAK

Apos ter chego "semi morto" na Segunda feira a noite e ter dormido merecidas dez horas initerruptas, na Terça feira comecei a desbravar Hong Kong e região ao lado do meu "guia/amigo/atleta" José Maria Baster. Saimos no início da tarde e antes disso, ele já havia levado a sua esposa e minha "amiga/atleta" Silvia Caserta ao aeroporto ja que ela ficaria três dias nas Filipinas a trabalho pela Colgate (ela e ex-patriada da empresa sendo esse o motivo deles viverem em HK, tendo a perspectiva de ficarem pelo menos mais um ano. Enquanto isso, José Maria estuda ingles mais voltado a "business" e mandarim básico).

Como o céu estava limpo e a previsão para os demais dias era de tempo nublado com chuva esporádicas e finas, fomos ate o "Peak", o ponto turístico mais alto da Ilha. Para conhecermos bem o lugar e sentirmos bem o cotidiano de HK, optamos em ir de condução e andar pela cidade.

HK e uma cidade dividida em duas grandes partes: a continental (parte mais popular) e as ilhas (parte mais rica). Nas ilhas (basicamente sao três), são onde ficam: os principais pontos turísticos, as principais multinacionais, o aeroporto internacional, as moradias mais ricas e a vista "cartão postal" da cidade. Toda cidade abrange por volta de sete milhões de habitantes, a sua moeda oficial e o HK dólar (U$1,oo sao HK$ 7,6,oo aproximadamente), os seus idiomas oficiais sao o cantonês e o inglês e os seus costumes em geral se diferem bastante do resto da China, pelo fato de ter sido colônia inglesa por praticamente cento e cinquenta anos depois da vitória britânica na Guerra do Opio. Mesmo retornando ao domínio chinês ao final dos anos noventa, HK é uma Região Administrativa Especial da República Popular da China e, de acordo com a vontade da sua população e dos seus líderes, manterá as características sociais e econômicas de acordo com o princípio "um país, dois sistemas". Os brasileiros não necessitam visto de entrada.

Para chegar até a base do "Peak" e subirmos ao topo, pegamos o "Tram" (um bonde de dois andares típico de HK. Somente o da subida ate o culme tem um andar).

Realmente a vista de cima do "Peak" e de tirar o fôlego... E-S-P-E-T-A-C-U-L-A-R !!!! Antes da subida, existem várias lojas de produtos típicos chineses, de HK e internacionais (como a loja do Forrest Gump) para os turistas consumirem. Também tem um "café" maravilhoso para você ficar comendo e bebendo algo enquanto admira a vista e um museu de cera com réplicas perfeitas dentre as quais a do Bruce Lee e do Jackie Chan.

Retornamos ao apartamento, nos trocamos e fomos correr no "Jóquei Clube". O apartamento deles fica a 10' trotando. Esse e um lugar otimo para correr... ele possui uma volta de 1,4Km com marcação de 200m em 200m praticamente plano e com uma via de boa largura. Para eu soltar as perninhas ainda do pós viagem, realizamos um "Treino Progressivo de Adaptação" na distância de 10Km com uma progressão a cada quilômetro. Começamos a 5'50" e fechamos a 4'05"... MUITO BOM !!

Voltamos trotando até o apartamento para soltar, nos trocamos e fomos até a academia onde o José Maria treina. Ela fica dentro de um Shopping (como muitas em São Paulo) e de novidade, é a sua área para "Treinamento Hiperbárico" tanto em bicicleta como em esteira, podendo atingir ate 3,2Km de altitude.

Nos banhamos e fomos jantar no bairro do "So ho", um dos mais gastronômicos de HK.


Vídeos

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12/11/2013 - TRILHA x ASFALTO
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27/04/2013 - DESAFIO COACHES PHARMATON 2013
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