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01/09/2005 - TREINAMENTO EM ALTITUDE

Ao saber que um dos principais motivos do resultado do nosso grande maratonista Wanderlei Cordeiro de Lima na Olimpíada de Atenas, foi o seu treinamento em altitude realizado meses antes, um interesse maior sobre esse tema foi desperto dentro de mim.

Durante o primeiro semestre, realizei algumas pesquisas teóricas através de alguns livros e conversei com alguns treinadores brasileiros que já realizaram esse trabalho, como o Técnico de Natação do Esporte Clube Pinheiros Fernando Vanzella. Porém, eu também queria acrescentar algo mais prático dentro dessa pesquisa... por isso, resolvi ir nesse mês de Julho para cidade de Paipa na Colômbia (160Km de Bogotá), visitar o “Campo de Entrenamiento Deportivo Jacinto Lopez”. Esse local, contém uma pista de atletismo sintética pública em ótimo estado. Paipa também possui uma grande diversidade de percursos de treino, relacionados a topografia e distância, que somado a sua altitude de 2.500m, se torna um “prato cheio” para os atletas de alto nível. Para completar toda essa parte prática, aproveitei e corri a ½ Maratona de Bogotá realizada no dia 31 de julho e senti “na pele” os efeitos da altitude. É realmente surpreendente...

Em cima de tudo que li, vi e ouvi nesses últimos meses, montei o seguinte “roteiro” sobre esse tema:

* HISTÓRICO GERAL

No final do século XVIII e início do século XIX, foram realizadas as primeiras pesquisas de forma empírica com alpinistas. Em função do desenvolvimento principalmente da ciência da aviação e da medicina, o interesse sobre o tema aumentou consideravelmente no século passado. O interesse de pesquisadores sobre esse assunto, estava para achar uma solução para alguns objetivos práticos, como a: prevenção e tratamento de uma série de doenças dos órgãos; segurança de trabalho em situações de hipoxia (altitudes extremas) e “mal da montanha”; e permanência de um grupo de pessoas em regiões montanhosas durante um longo período.

* HISTÓRICO NO ESPORTE

Apesar do grande desenvolvimento da Ciência do Esporte no século passado, as pesquisas na área de treinamento em altitude para atletas foram poucas até meados dos anos 60. Somente com a realização dos Jogos Olímpicos na Cidade do México (2.240m) em 1968, é que as pesquisas tiveram um considerável avanço. Durante essa época até meados dos anos 70, algumas conclusões de pesquisas com atletas foram altamente positivas. Em algumas, se notou ao final uma melhora de 3,5 l x min. no seu consumo máximo de oxigênio.

* ÚLTIMA DÉCADA

Nessa última década, já com o tema bastante aprofundado, nota-se vários itens positivos depois de anos de estudo. O aumento de países que realizam pesquisas atualmente é bem maior, sendo que alguns já possuem Centros Avançados de Treinamento como a Espanha (Sierra Nevada – 2320m); México (Toluca – 2700m); e EUA (Colorado Springs – 2194m).

* NÍVEIS DE MONTANHA E CONDIÇÕES CLIMÁTICAS

- Montanhas Baixas (800m a 1000m): Não existe influência significativa da falta de oxigênio nas funções fisiológicas nos atletas quando aplicadas cargas moderadas ou em repouso;

- Montanhas Médias (1200m até 2500m): Alterações funcionais com cargas moderadas de treinamento e não em repouso;

- Montanhas Altas (superior a 2500m): Mesmo em repouso, podemos notar surgimento de alterações funcionais que evidenciam a falta de oxigênio.

- Condições Climáticas: Mudanças bruscas de temperatura e umidade; diminuição da pressão atmosférica e parcial de oxigênio; elevação da radiação solar e alta ionização do ar.

* ALTITUDE IDEAL

Várias pesquisas realizadas ao longo dessas últimas décadas, demonstram toda dificuldade que os pesquisadores tiveram para obter a “altitude ideal” para ser aplicada em atletas de alto nível. Depois de várias aplicações práticas em altitudes e locais variados, a Federação Internacional de Medicina Desportiva (R. Shephard, 1992), proibiu a realização de competições oficiais de esportes de resistência em altitudes superiores a 3.050m. Além disso, a maioria dos especialistas, consideram que a altitude ideal para treinar atletas de alto nível está entre 1800m e 2400m.

* BENEFÍCIOS DO TREINAMENTO EM ALTITUDE

- Aumento considerável na adaptação à hipóxia, permanecendo por até 3 semanas após o retorno ao nível do mar;

- Alteração no sangue, permanecendo até 3 meses após o retorno ao nível do mar;

- Aumento da capacidade sanguínea em transportar oxigênio até 20 dias após o regresso ao nível do mar;

- De 08 a 25 dias após o retorno da altitude, são observados períodos de grande desenvolvimento das capacidades físicas e de resultado em competições.

* FATORES QUE PODEM CAUSAR EFEITOS NEGATIVOS

- Saúde instável no início do Treinamento;

- Baixo Nível de Condicionamento Aeróbio;

- Muita freqüência de trabalho Anaeróbio;

- Não respeitar os resultados específicos das fases de aclimatação e readaptação;

- Alimentação insuficiente e inadequada.

Apesar de ser um tema bem específico, de difícil acesso prático no nosso país devido ao nosso relevo e de benefícios mínimos para os atletas em geral, o Treinamento em Altitude é sem dúvida nenhuma mais uma incrível demonstração do quanto o nosso organismo é adaptável a reações externas oferecidas pela natureza.

Prof. Diego Lopez

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