Resultados
13/10/2013 - MARATONA BUENOS AIRES, MARATONA CHICAGO E SHORT/HALF LA MISION !!

A TRILOPEZ nesse final de semana, participou das MARATONAS DE CHICAGO & BUENOS AIRES, além do desafiador SHORT E HALF LA MISION.

Confiram abaixo quem foram os nossos "guerreiros":

* 13/10 - MARATONA BUENOS AIRES

- Felipe Barrios: 3h36´30"

* 13/10 - MARATONA CHICAGO

- Dayane Borges (4h52´10"), Domingos Ferronato (3h17´20"), Luana Fleury (3h56´30"), Patricia Sousa (4h17´40") e Rosiane Ribeiro (4h29´50")

* 12 e 13/10 - SHORT/HALF LA MISION SERRA FINA

- 40Km: Dalva Oliveira (6h40´ e pódium), Edith Portella (7h12´), Cassiano Botelho (7h10´) e Fred Bem (8h15´)

- 80Km: Luiz Orlandini (24h10´) e Ricardo Nishizaki (foi até o Km35)

Segue abaixo o relato de Edith Portella

"Hola Dieguito, como estás ?

Eu estou bem com um pouco de dor muscular como sempre ocorre após estas provas.

Seguem minhas impressões sobre a prova.

O local da prova é lindo, lindas trilhas e um visual fantástico da Serra Fina.

O tempo estava aberto, muito sol, temperatura agradável.

A trilha muito bem sinalizada, só na chegada na cidade que muita gente acabou errando o caminho pois a sinalização era precária, mas na trilha sem problemas ... nem eu consegui me perder ! rssss

Subidas que pareciam intermináveis em trilhas difíceis e pesadas, muita escalaminhada mas até aí era previsto.

O que me surpreendeu foi a descida ... quando achei que começaria a correr e tirar o atraso, uma vez que trekking não é o meu forte, me deparei com trilhas “incorríveis” !

Mal dava para caminhar, vários trechos com corda para poder descer pois a trilha era muito escorregadia e íngreme e alguns pontos não havia como se segurar.

Nesse momento já desanimei pensando que teria que terminar a prova caminhado....

Para minha felicidade, por volta do km 30 entramos em uma clareira e depois estrada onde finalmente pude correr e corri forte pois estava descansada, mas foi muito curto e não consegui recuperar o tempo perdido no trekking ...

É isso.

Beijos e FCT !"

EOITH PORTELLA

Segue abaixo o relato de Luiz Orlandini

LA MISION BRASIL 2013

Embrenhado numa verdadeira selva, no topo do 4o. maior pico do Brasil, sem a menor perspectiva de conseguir correr, com temperatura zero grau, lesões por esforços repetitivos em áreas criticas para um corredor montanhista, o La Mision Brasil – Half Mission – 80Km, trouxe para minha vida momentos que oscilaram entre revolta, dúvidas, certezas e satisfação.

Percebi que até hoje, por mais que eu tenha passado por adversidades, estas nunca aconteceram de forma tão “desassistida” quanto desta feita. Me senti muito pequeno frente à toda dificuldade. No dia das crianças, era eu o garotinho abandonado na floresta. Eu estava isolado. Eu e meus pensamentos...

Revolta Escalar paredões não é coisa de corredor, pensava eu buscando uma forma de contornar obstáculos abrasivos demais para se descer escorregando de bunda. É preciso ter uma passada firme, com um solado verdadeiramente apropriado... Acredito que meu Salomon Lab 5 não era o caso, pois, com os cravos bastante protuberantes, mais apropriado para lama, eu me sentia um traveco andando de salto alto em uma rua de paralelepidos... Esqueceram de pedir o magnésio em pó também, além do capacete, para diminuir a abrasividade das rochas que precisavam ser escaladas ou descidas... NÃO HOUVE NENHUM BRIEFING DIZENDO "A ESPÉCIE" DO QUE IRIAMOS ENCONTRAR. Eu estava em risco... de vida... e não estou exagerando, pois, em um dos momentos que me arrepia até agora em lembrar, a corda que eu usava para descer um morro estourou e eu escorreguei de peito até ficar pendurado, por um abençoado ramo de capim elefante cravado entre as pernas e meus dedos cravados na terra molhada (lama) à beira da ribanceira.

Dúvidas 30 quilômetros em... 9 horas ? Será que eu não sou rápido o suficiente ? Será que eu não sou bom o suficiente para fazer melhor que isto ? Será que eu não sirvo pra isto ? Será que não vou aguentar até o fim ? Será que a comida vai dar ? Será que vou suportar o frio, agora que estou com o Anorak totalmente rasgado ? Será que alguém pode me ajudar ? Deus ? Você está me ouvindo ?

Certezas Eu posso realmente não ser tão rápido ou tão bom, mas, se eu desistir, vou me convencer de que não minha fé não é tão inabalável. Se tantas pessoas, sem escolha, suportam até o fim suas mazelas, sem reclamar, muitas vezes, inclusive, sem forças para isto, por eu, que estava ali por opção não suportaria ? E quando eu pensei em Deus, de verdade, com toda a força, Ele estava ali... Na verdade me mandou um primeiro anjo, que chegou como um Papai-Noel meio desastrado rolando pela chaminé... De queda em queda atrás de mim, há alguns quilometros, alguém rolava... e já estava começando a doer mais em mim, do que nele propriamente... Até que finalmente começamos a conversar. Walter Rinaldo é o nome da fera. (ainda não me add no face, mas o fará em breve !) Único Brasileiro Finisher por 3 vezes consecutivas do Ultra Trail Du Mont Blanc - TDS 120km. Ele reclamava, entre um tombo e outro, que aquilo ali que estávamos passando não era humano. E eu, que estava quase que abandonando o sonho de fazer MontBlanc, com medo de ser pior, comecei a me animar de novo ao saber que não !!! rsrsrs Walter estava decidido a deixar a prova no próximo PC. Com o passar dos quilômetros, dentre dezenas de coisas sobre as quais conversamos, que ajudaram a diminuir o stress que a solidão e a apreensão de horas nos gera, acabei falando acerca do meu principal motivo para não desistir da prova, um momento difícil pelo qual passa um familiar meu o qual eu queria homenagear terminando a prova, e a partir daquele momento, notei que Walter ao invés de me falar sobre os motivos que o fariam abandonar a prova, passou a me lembrar a cada segundo do meu pra chegar até o fim... Chegamos ao próximo PC (Paiolinho) e apesar da sopa e do chá que milagrosamente a prova resolveu fornecer, no único ponto em que era possível chegar um carro, após nos reabastecermos ele não parou... e desceu mais 15 quilômetros comigo até o Posto do IBAMA, dizendo que se descesse estaria a apenas 5Km da cidade e não precisaria do socorro da prova para desistir...rsrsrs, mesmo cansado, me deu a comida que não iria mais comer, pilhas, pois, as minhas pilhas reservas tinham se descarregado sem explicação e eu estava na eminência de ficar sem Headlamp para prosseguir... Dá pra explicar uma coisa dessas ??? Ele me colocou no quilometro 50 da prova com um motivo a mais para ir até o fim: - Não tê-lo feito perder mais de 15km de descanso em vão. E ele se foi... Bom, se uma Graça pra muita gente já é um milagre, o que dizer de dois ?? Saí do Posto do IBAMA, com mais 6 a 8 horas de prova ainda pela frente. Descemos de 2800 metros de altitude (Pedra da Mina), para 900 metros (nível da cidade de Passa Quatro), para novamente subir, só que agora a 2.400 metros (Tijuco Preto). Novamente estava eu ali. No breu, no frio e subindo. 7 km de subida por uma estrada que me colocaria no Tijuco Preto. Na metade dela, um único Headlamp acesso. Parado. Se vira e grita perguntando ?? Você viu algum refletivo ?? Para quem não conhece, refletivos são pequenos quadradinhos plasticos orientadores de rota, uns quadradinhos que quando a luz da headlamp bate neles, eles brilham no escuro, orientando o caminho a ser seguido... Achei isto o máximo !! Eu Ficava imaginando: - Como é que a gente vai encontrar uma trilha no meio do nada, na escuridão total ??? A resposta eram os refletivos. Muito mais fácil, inclusive, se orientar à noite, do que de dia, diga-se de passagem. Minha resposta foi: - Olha, sempre que não vejo um, mantenho a rota e sigo em frente ! E o 2º. Anjo, estava ali: Rita de Cássia Rocha Coronel. (Não a encontrei no Face... ainda !) Ela havia sido deixada para trás, por questão de ritmo, por um amigo que até ali tinha feito a prova com ela. E realmente estava muito incomodada de estar em vias de entrar em outro trecho de Selva, sozinha. Passamos a escalaminhar juntos e isto fortaleceu a ambos. Ela foi mais uma das especialistas em provas longas de aventura que se surpreendeu com a dificuldade encontrada. Passei a ter com quem me preocupar além de mim mesmo. Ela queria terminar e iria de qualquer forma, por que era muito “dura” pra pedir arrego ! E só ! Minha mão a ajudava a escalar as ribanceiras e isto me fazia me sentir mais forte, apesar de debilitado. Passamos momentos de alta tensão juntos, como a descida em escalada em que a corda arrebentou e quase me lançou ao precipício... Com o passar dos quilômetros e a chegada do dia, ela passou a crescer novamente... Seu ritmo já não era mais igual ao meu... Eu, muito mais fraco... Se ela tivesse seguido só, por certo chegaria entre 40 a 60 minutos antes de mim sem dúvidas... Mas quem é que disse que ela me deixaria pra trás ???

SATISFAÇÃO

Ao cruzar a linha de chegada, Ricardo Nishizaki me chamou de “Filho da Puta” e aquilo foi um dos elogios mais sinceros e gratificantes que recebi na vida, com o perdão à minha querida mãezinha que eu amo tanto !

Olhar o meu “time” ali me esperando me deixou muito emocionado ! Edith Otarola Portella, Cassiano Botelho e Dalva Oliveira... Nos braços de Dalva eu quase desmaiei... aqueles 2 minutos de abraço, valeram quase 8 horas de sono...

E a Rita ali, impávida. Do jeito que chegou, ficou !! Como alguém pode ser tão generoso, administrando tanta escassez... (naquele caso, de forças...) ??????

Cruzar a linha de chegada, depois de mais de 24 horas de prova, entre os últimos colocados, só reforça realmente o estado de espirito de um esportista. Ou melhor: O estado de espírito de alguém que realmente têm fé. Eu tenho fé em tanta coisa ! Já passei por tanta coisa ! E passo !

E perco e ganho, com a mesma fé ! Quem têm amigos e acredita em Deus, nunca está sozinho. Como diz Dona Sônia Sonia Pache, mãe de um outro grande amigo que este esporte me trouxe, os anjos da guarda nem piscam !

Se eu pudesse explicar esta prova fazendo uma correlação, logicamente dentro de um universo filosófico, onde tudo se justificaria, mesmo porque preciso guardar as devidas proporções, seria:

Seções de radio e quimioterapia. Cientificamente, durante esta prova, em tratamento intensivo, cheguei a ser esvaído quase que completamente de toda e qualquer capacidade de defesa e resistência.

Ela literalmente levou-me embora um monte de células boas, inclusive, junto com as ruins, só para deixar em mim, as melhores. Me colocou em risco de vida, pra me dar uma existência melhor. Aumentou a minha fé.

Milagres acontecem a cada instante e a gente precisa aprender a valorizá-los. Quando a gente pensa em desistir, os valores da alma podem nos carregar literalmente até o fim... Força, coragem e fé sempre !

LUIZ FERNANDO ORLANDINI

Segue abaixo o relato de Ricardo Nishizaki

"Não vou falar da prova, mas de algumas impressões: 1) os 40k são um baita desafio que os maratonistas e até meio-maratonistas mais experientes podem tentar; vão correr sempre de dia, vão ter desafio de sobra e sairão de alma lavada; já pros 80k... poucas pessoas na Trilopez têm condições de fazer, o negócio é pesado MESMO e o cara tem que ser cascudo MESMO; 2) o treino... ah, o treino! Não tem como fazer especificidade, nada em SP se parece com aquilo. Mas dá pra fazer algumas adaptações: o treino de escada, subir e descer, pode ser chato, mas é útil como adaptação para as subidas. Para as descidas, não sei como, só indo pro meio do mato mesmo; Biologia, USP, podem até ser práticos, mas o terreno é regular demais, vale mais a pena ficar rodando que nem um louco no Bosque do Morumbi do que na USP; treinar 11 horas não tem tanta valia física por conta disso, mas pode valer no psicológico, se necessário; e a mochila tem que ser pesada mesmo, mas cada um tem que achar o equilíbrio entre autonomia e peso excessivo; 3) na alimentação cada um sabe o que é melhor e tem que tentar nos treinos, mas coisas leves, hipercalóricas e pouco espaçosas valem a pena, como salame, castanhas...; 4) tem que levar headlamp de qualidade!!! Visão noturna é tudo!! 5) a amplitude térmica pode ser muito grande, de dia na cidade o clima é de outubro, quente, roupas leves, mas no alto da montanha e à noite não tem jeito, vai fazer muito frio e muito vento e se vc não estiver preparado, esqueça. Vale a pena correr de calça, para tentar minimizar os arranhões, porque o mato é muito fechado em alguns trechos; 6) os bastões são úteis, muito tempo subindo é complicado, qualquer desgaste a menos ajuda; pra descer idem, aumenta-se um pouco o comprimento. Usei dois pra subir e um só pra descer, deixando a outra mão livre pra me agarrar em árvores e pedras, funcionou.; 7) luva é essencial, e é melhor que cubra todo o dedo, eu usei uma luva de dedos cortados e voltei com a ponta dos dedos estropiada; 8) equilíbrio emocional! É dificil mantê-lo 100%, mas tentar sempre não deixar o desgaste, o mau-humor (que vem em algumas horas, não tem jeito) ou a desesperança te abaterem. Tá assim? Continua sem pensar, é o que te resta!! 9) não despreze, menospreze ou ache exagerado o que o organizador disser, porque ele fala a verdade e a verdade é pior do que a nossa própria imaginação!! 10) a prova não é de corrida, é de trekking e sobrevivência. Corre onde dá, mas a corrida não é o substantivo que caracteriza a prova!!!

RICARDO NISHIZAKI

PARABÉNS A TODOS !!

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